Bom dia, boa tarde ou boa noite!
Uma das lições mais exigentes da caminhada cristã é aceitar uma verdade que confronta o nosso ego: Deus nem sempre nos dá o que queremos, mas Ele sempre nos entrega o que precisamos. Olhando para trás, especialmente para as décadas de 90 e o início dos anos 2000, percebo como a minha visão de fé era limitada. Eu tratava a oração quase como um comando; via Deus como uma espécie de "gênio da lâmpada". A lógica era perigosamente simples: eu pedia, Ele realizava. Quando os meus planos fracassavam — e muitos fracassaram —, a frustração era imediata.
O problema dessa frustração é que ela age como uma venda nos olhos. Enquanto eu lamentava o que não acontecia, deixava passar as inúmeras maravilhas que já estavam ocorrendo ao meu redor. Hoje, em um exame de consciência mais maduro, percebo quantos sinais recebi e simplesmente ignorei por estar ocupado demais reclamando do meu "desejo não atendido".
A Gramática de Deus: Sinais e Silêncios
Deus raramente fala conosco por meio de grandes trovões ou vozes audíveis. Ele se comunica na sutileza dos pequenos detalhes ou, de forma ainda mais desafiadora, através do silêncio absoluto. Aprendi que precisamos ressignificar nossa dor diante da falta de respostas: o silêncio também é uma forma de resposta.
Para ouvir o que Ele tem a nos dizer, precisamos cultivar um silêncio que vai além do "não falar". É o silêncio da alma, o sossego do coração e a paciência na espera. Nada acontece no nosso tempo, mas tudo se cumpre no tempo d'Ele.
A Ditadura do Agora vs. O Tempo da Criação
Vivemos em uma sociedade moldada pelo avanço tecnológico, onde a espera é vista como uma falha do sistema. Queremos tudo agora, na palma da mão, em milissegundos. Nos tornamos seres ansiosos e imediatistas. No entanto, o tempo de Deus não segue o ritmo da nossa fibra ótica; Ele permanece o mesmo desde a criação.
As Escrituras e os testemunhos de santos através dos séculos nos mostram que a maturidade espiritual nasce justamente na sala de espera. A demora de Deus não é esquecimento; é preparação.
Portanto, meu irmão, minha irmã: tem paciência. A sua resposta virá no tempo d'Ele, com a precisão de quem nunca falhou e nunca falhará.
Paz e Bem!

Já dizia São João Paulo II: “Se eu entender as belezas do esperar, não terei pressa em adiantar os planos de Deus.” Que sejamos gratos pelas “demoras” de Deus que tanto nos forja e nos coloca no caminho da santidade.
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