Bom dia, boa tarde ou boa noite!
Este espaço nasceu para registrar o processo da minha conversão. E, como já mencionei, não está sendo fácil. Converter-se não é apenas mudar o que se crê, mas mudar o que se é — e isso bagunça toda a estrutura ao nosso redor.
A parte mais difícil, sem dúvida, tem sido a mudança de rotina e de círculos sociais. De repente, algumas companhias deixaram de fazer sentido. Tenho conhecidos que são pessoas "legais", mas cujas filosofias de vida agora colidem com o que o Cristianismo prega. Nossos ideais mudaram, nossos assuntos secaram. O "rolê" que antes era o auge da minha semana, hoje me soa vazio.
Mas o que mais me incomoda não é o afastamento em si, e sim o meu silêncio.
Quando me perguntam: "Por que você sumiu?" ou "O que aconteceu com você?", eu sinto um nó na garganta. Por um medo sem sentido, eu desconverso. Digo que o tempo está corrido, que o trabalho apertou. Dou desculpas triviais para esconder uma verdade monumental.
Por que eu ainda não consigo simplesmente dizer: "Eu me converti"?
Por que hesitamos em dizer que aquelas velhas diversões não fazem mais sentido porque encontramos algo maior?
Hoje, no meu escritório, recebi a visita de um amigo (cristão, mas não católico como eu). Passamos horas conversando sobre o processo de conversão, sobre Jesus e sobre como nossas tradições interpretam as Escrituras. Foi um tempo de café e comunhão que alimentou minha alma. Só agora, no fim da tarde, a ficha caiu.
Percebi que não posso ter vergonha da minha nova identidade. Aqueles que são meus amigos de verdade vão entender — ou, no mínimo, respeitar. E quanto aos outros? Bem, se a nossa amizade dependia apenas da minha presença em lugares que hoje me ferem, talvez essa amizade nunca tenha existido de fato.
A conversão nos pede coragem não apenas para mudar por dentro, mas para assumir essa mudança por fora. Afinal, não se acende uma lâmpada para colocá-la debaixo da mesa.
Paz e Bem!




