terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Debaixo da Mesa a Luz Só Ilumina o Pó: O fim das desculpas para a minha conversão.

Bom dia, boa tarde ou boa noite!

Este espaço nasceu para registrar o processo da minha conversão. E, como já mencionei, não está sendo fácil. Converter-se não é apenas mudar o que se crê, mas mudar o que se é — e isso bagunça toda a estrutura ao nosso redor.

A parte mais difícil, sem dúvida, tem sido a mudança de rotina e de círculos sociais. De repente, algumas companhias deixaram de fazer sentido. Tenho conhecidos que são pessoas "legais", mas cujas filosofias de vida agora colidem com o que o Cristianismo prega. Nossos ideais mudaram, nossos assuntos secaram. O "rolê" que antes era o auge da minha semana, hoje me soa vazio.

Mas o que mais me incomoda não é o afastamento em si, e sim o meu silêncio.

Quando me perguntam: "Por que você sumiu?" ou "O que aconteceu com você?", eu sinto um nó na garganta. Por um medo sem sentido, eu desconverso. Digo que o tempo está corrido, que o trabalho apertou. Dou desculpas triviais para esconder uma verdade monumental.

Por que eu ainda não consigo simplesmente dizer: "Eu me converti"?

Por que hesitamos em dizer que aquelas velhas diversões não fazem mais sentido porque encontramos algo maior?

Hoje, no meu escritório, recebi a visita de um amigo (cristão, mas não católico como eu). Passamos horas conversando sobre o processo de conversão, sobre Jesus e sobre como nossas tradições interpretam as Escrituras. Foi um tempo de café e comunhão que alimentou minha alma. Só agora, no fim da tarde, a ficha caiu.

Percebi que não posso ter vergonha da minha nova identidade. Aqueles que são meus amigos de verdade vão entender — ou, no mínimo, respeitar. E quanto aos outros? Bem, se a nossa amizade dependia apenas da minha presença em lugares que hoje me ferem, talvez essa amizade nunca tenha existido de fato.

A conversão nos pede coragem não apenas para mudar por dentro, mas para assumir essa mudança por fora. Afinal, não se acende uma lâmpada para colocá-la debaixo da mesa.

Paz e Bem!



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Sem Jeito? A cadeira vazia na casa do Pai ainda tem o seu nome.

 Bom dia, boa tarde ou boa noite!

Uma das coisas que tem mais me fascinado é o caminho de conversão de cada pessoa. São histórias lindas, que me motivam cada vez mais.

Até bem pouco tempo atrás (estou falando de alguns meses), eu tinha sentido no coração que precisava voltar para a Santa Igreja Católica, berço dos meus pais e da minha família há gerações. Mas achava que minha história não tinha mais jeito. Me dava um medo de falar com um padre e ele falar pra mim que minha situação era irreversível, que eu já estava condenado.

Mesmo assim resolvi voltar, e vi que existem dentro da Igreja diversas histórias de gente que esteve onde eu estive, e mais, que muitos passaram por histórias ainda piores e mais complexas do que a minha.

Vale lembrar que a comparação nem sempre é saudável pois, ao mesmo tempo que você vê gente "pior" do que você, há aqueles exemplos de pessoas que vivem uma vida "santa", e que você pode julgar serem "melhores" do que você, ou que você nunca vai alcançar tal modo de vida.

Pois bem, refletindo nos últimos dias, o que eu consigo perceber é que somos pessoas diferentes, temos histórias diferentes e Deus nos dá uma missão diferente. 

Ninguém poderia passar pelo que eu passei a não ser eu mesmo. Se outra pessoa vivesse a minha história, talvez ela não suportasse. Se eu vivesse a história de outra pessoa, é possível que eu não resistisse.

Deus permite que coisas aconteçam conosco. Ele não é o culpado de nossas mazelas, pois só quer nosso bem. Porém, ao mesmo tempo, Ele nos dá o livre arbítrio, e, como já falei em outro post, as escolhas são suas. Mas se Deus permite que aconteçam, é porque você precisa passar por isso para enxergá-Lo.

Meus irmãos: somos todos pecadores. Todos nós cometemos erros, conscientes ou não. A única coisa que é igual para todos é o perdão de Deus. Ele está lá, de braços abertos, como o pai da parábola do filho pródigo, aguardando seu filho perdido ao retorno ao lar.

Abaixo, deixo um vídeo com uma das histórias mais lindas que ouvi nos últimos meses. O programa completo você pode encontrar assinando a Brasil Paralelo.

Paz e bem!



terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Entre Gêiseres e Graça: A Lição de Betesda

Bom dia, boa tarde ou boa noite!

Vocês já pararam para maratonar The Chosen? Recentemente mergulhei nas cinco temporadas e confesso: é impossível sair ileso. O que mais me fascina é a humanidade de Jesus. Muitas obras o colocam em um pedestal de "superioridade distante", quase como se Ele não tocasse o chão que pisamos. Mas o Deus encarnado de The Chosen ri, chora, brinca e sente o cansaço do caminho. Ele é humano em tudo, exceto no pecado, e é justamente essa proximidade que torna Seus milagres tão urgentes.

Uma cena, em especial, me atingiu em cheio: a cura do paralítico no Tanque de Betesda.

Imagine a cena: um homem que não sente as pernas há décadas, vivendo à beira de um tanque, esperando um fenômeno — o movimento das águas — que ele acredita ser sua única saída. A lenda dizia que o primeiro a pular quando a água agitasse seria curado. Mas, como um paralítico venceria essa corrida? Ele estava preso em um ciclo de esperança e frustração, olhando para a água enquanto a Vida passava ao seu lado.

Até que Jesus chega e faz a pergunta que parece óbvia, mas que corta a alma: "Você quer ser curado?"

No diálogo poético da série, Jesus é direto: "Você sabe que não há nada para você nesse tanque. Você só precisa de Mim". E então, o comando que muda a história: "Levanta-te, pega tua maca e anda".

Ao assistir, me vi deitado naquela maca.

Fisicamente, minhas pernas funcionam bem. Mas quantas vezes estive paralisado por ignorar a Jesus como meu único Salvador? Quantas vezes busquei minha paz, minha "cura" e meu propósito em tanques vazios?

O mundo moderno está cheio de "Tanques de Betesda". Lugares onde as pessoas se aglomeram esperando um milagre que nunca vem: o álcool, as drogas, o abismo da pornografia, o vício em apostas, a validação nas redes sociais. São águas que prometem cura, mas só entregam mais sede.

Buscamos soluções complexas e ruidosas, quando o caminho é desarmar o coração, silenciar o barulho do ego e admitir: "Senhor, eu não consigo chegar ao tanque sozinho". É nesse momento que Ele nos lembra que Ele não é a água que agita; Ele é a Fonte que transborda.

Muitas vezes, a cura que você busca não está no próximo "movimento da água", mas em Quem já está parado na sua frente, esperando o seu "sim".

Para quem quiser conferir, deixo o vídeo da cena abaixo. E não deixe de ler esse relato em João 5:1-15. A Bíblia consegue ser ainda mais emocionante quando percebemos que aquela maca, tantas vezes, é o nosso próprio coração.

Paz e Bem!




sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

O Silêncio que Responde: O que aprendi na sala de espera de Deus.

Bom dia, boa tarde ou boa noite!

Uma das lições mais exigentes da caminhada cristã é aceitar uma verdade que confronta o nosso ego: Deus nem sempre nos dá o que queremos, mas Ele sempre nos entrega o que precisamos. Olhando para trás, especialmente para as décadas de 90 e o início dos anos 2000, percebo como a minha visão de fé era limitada. Eu tratava a oração quase como um comando; via Deus como uma espécie de "gênio da lâmpada". A lógica era perigosamente simples: eu pedia, Ele realizava. Quando os meus planos fracassavam — e muitos fracassaram —, a frustração era imediata.

O problema dessa frustração é que ela age como uma venda nos olhos. Enquanto eu lamentava o que não acontecia, deixava passar as inúmeras maravilhas que já estavam ocorrendo ao meu redor. Hoje, em um exame de consciência mais maduro, percebo quantos sinais recebi e simplesmente ignorei por estar ocupado demais reclamando do meu "desejo não atendido".

A Gramática de Deus: Sinais e Silêncios

Deus raramente fala conosco por meio de grandes trovões ou vozes audíveis. Ele se comunica na sutileza dos pequenos detalhes ou, de forma ainda mais desafiadora, através do silêncio absoluto. Aprendi que precisamos ressignificar nossa dor diante da falta de respostas: o silêncio também é uma forma de resposta.

Para ouvir o que Ele tem a nos dizer, precisamos cultivar um silêncio que vai além do "não falar". É o silêncio da alma, o sossego do coração e a paciência na espera. Nada acontece no nosso tempo, mas tudo se cumpre no tempo d'Ele.

A Ditadura do Agora vs. O Tempo da Criação

Vivemos em uma sociedade moldada pelo avanço tecnológico, onde a espera é vista como uma falha do sistema. Queremos tudo agora, na palma da mão, em milissegundos. Nos tornamos seres ansiosos e imediatistas. No entanto, o tempo de Deus não segue o ritmo da nossa fibra ótica; Ele permanece o mesmo desde a criação.

As Escrituras e os testemunhos de santos através dos séculos nos mostram que a maturidade espiritual nasce justamente na sala de espera. A demora de Deus não é esquecimento; é preparação.

Portanto, meu irmão, minha irmã: tem paciência. A sua resposta virá no tempo d'Ele, com a precisão de quem nunca falhou e nunca falhará.

Paz e Bem!


quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Entre o Controle Remoto e a Oração: A Escolha de Abdicar do Comodismo.

Bom dia, boa tarde ou boa noite!

Tem sido um desafio constante me aproximar da Igreja, de Cristo e de Seus ensinamentos. Nos últimos dias, me peguei refletindo sobre algo que todos enfrentamos, mas raramente vencemos de primeira: a nossa zona de conforto. É nela que o pecado se instala, não como um vilão barulhento, mas como um convite silencioso e atraente.

Assisti recentemente ao vídeo de um padre que dizia algo cortante: é muito mais fácil ficar sentado no sofá, anestesiado pela TV e pela comida, do que se ajoelhar para rezar um terço. E que verdade incômoda! A zona de conforto é, por definição, confortável. Ela não exige nada de nós, enquanto a vida espiritual exige tudo. Viver o cristianismo é, essencialmente, abdicar desse comodismo para abraçar uma entrega que nem sempre é prazerosa no início.

O Mundo como um Campo de Batalha Digital

Vivemos em um tempo onde o erro está a um clique de distância. Na internet, a sexualidade foi banalizada e o sagrado é frequentemente rotulado como "chato". O excesso — seja na comida, na bebida ou no consumo — é vendido como a única forma de felicidade. O mais triste é ver como isso macula o que temos de mais puro.

Lembro-me do relato de uma amiga, diretora de escola de ensino fundamental, sobre uma aluna que precisou trocar de instituição porque fotos íntimas foram espalhadas por colegas no WhatsApp. Esse é o peso real do mundo sem filtros e sem limites: ele fere, expõe e destrói vidas antes mesmo que elas amadureçam.

A Perfeição não é o Destino, a Constância é o Caminho

Muitas vezes, deixamos de tentar porque achamos que não somos "santos" o suficiente. Mas ser cristão não é ser perfeito. Nós vamos errar, julgar e cair. A diferença está no que fazemos após a queda. O segredo está em prestar atenção ao tropeço, pedir perdão com sinceridade e ter a coragem de recomeçar, tentando não repetir o mesmo padrão. O cristianismo é um eterno recomeço.

O Poder da Intenção: O Terço Diário

Ontem, tomei uma decisão: rezar o terço diariamente antes de começar o trabalho. Já se foram dois dias, e algo mudou. Durante muito tempo, achei o terço "chato" — uma repetição mecânica de Ave-Marias enquanto os dedos passavam pelas bolinhas. Hoje percebo que eu nunca tinha rezado de verdade; eu apenas acompanhava os outros, desejando que chegasse logo o fim.

Desta vez, há um propósito. Ao rezar com intenção, a repetição deixa de ser cansaço e se torna meditação. Para minha surpresa, esses momentos não foram pesados; pelo contrário, sinto uma ansiedade boa para que chegue o momento de amanhã.

Às vezes, o que parecia ser um fardo é, na verdade, a ferramenta que nos tira do peso do sofá e nos coloca de pé para a vida.

Paz e Bem!



quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

O Getsêmani e a Geometria do Sacrifício

Dizem que a (re)conversão é um processo doce, mas a verdade é que ela é dura e, muitas vezes, dolorosa. Sou alguém que precisa entender os fundamentos; não consigo apenas cumprir tarefas sem compreender o motivo. E ontem, mergulhei em uma pergunta que sempre me acompanhou: Por que Jesus é chamado de "Cordeiro de Deus"?

Para entender o Cordeiro, precisei voltar ao Templo. Na tradição judaica, o sacrifício não era apenas um ato religioso, era uma troca. Escolhia-se um animal perfeito, sem manchas. Através da imposição das mãos, o sacerdote transferia simbolicamente os pecados do povo para o animal. O bicho morria para que o homem pudesse viver em paz com Deus.

Agora, olhe para o Monte das Oliveiras.

Momentos antes de ser entregue, Jesus sente uma agonia tão profunda que transpira sangue. Ali, naquele jardim, aconteceu a "imposição de mãos" definitiva: Deus transferiu para Seu próprio Filho toda a mágoa, todo o erro e toda a podridão do mundo. Ali, o Cordeiro de Deus aceitou carregar o que era nosso.

O que mais me emociona não é apenas o sacrifício, mas para quem ele foi feito: para nós, que não merecemos.

Deus permitiu que Seu Filho vivesse a plenitude da nossa dor e das nossas limitações para, no fim, morrer em nosso lugar. Ele transformou a Cruz — que era o símbolo máximo da derrota e da vergonha — no troféu da nossa maior vitória.

Hoje, temos a chance de deixar aos pés de Jesus todo o nosso arrependimento. Não porque somos bons, mas porque Ele foi perfeito por nós.

Que Seus olhos misericordiosos nos alcancem hoje e sempre.

Paz e Bem!




terça-feira, 20 de janeiro de 2026

O Peso do "Sim" e a Liberdade do Perdão

Perdão. Como uma palavra tão pequena pode transformar tanto uma vida?

Neste meu processo de conversão, essa palavra me persegue. Entendi que, para uma conversão plena, o perdão é obrigatório. Jesus foi claro: perdoar "70 vezes 7", sem limites. É difícil, exige reza e paciência, mas com o tempo a gente consegue liberar quem nos feriu.

Mas há um tipo de perdão que quase sempre esquecemos: o auto-perdão. E, honestamente? Esse é o mais difícil de todos.

É difícil porque nos obriga a encarar a verdade. Muitas vezes, justificamos nossos erros com fatores externos: as companhias, a pressão dos amigos, as circunstâncias... Mas a verdade nua e crua é que, em algum momento, fomos nós que demos a palavra final. Fomos nós que dissemos "SIM" para o erro.

Eu cometi inúmeros erros. Pequei contra Deus, contra a Igreja e contra pessoas. Ao revisitar essas falhas, encontrei o denominador comum: eu fiz porque quis, mesmo sabendo que estava errado. Esse peso vai acumulando e gera uma mentira perigosa: a de que "não temos mais salvação".

Mas a verdade da Cruz é justamente o contrário. Jesus sofreu aquela dor excruciante para que tivéssemos a oportunidade de uma salvação plena, independentemente do passado. Deus nos ama tanto que Sua misericórdia precede até nossos futuros tropeços.

Como tenho praticado isso? Não sou santo, mas descobri um caminho: busco o silêncio e falo com Jesus como um amigo. Peço perdão pelos meus atos e peço que Ele alcance as pessoas que eu não posso mais alcançar, curando o coração delas. E, finalmente, peço que Ele tire do meu coração o peso da culpa.

A resposta costuma ser instantânea. O dia fica mais leve. 

Que Deus nos ajude a escolher sempre o caminho da Santidade.

Paz e Bem!







Debaixo da Mesa a Luz Só Ilumina o Pó: O fim das desculpas para a minha conversão.

Bom dia, boa tarde ou boa noite! Este espaço nasceu para registrar o processo da minha conversão. E, como já mencionei, não está sendo fácil...